Ao analisar o texto “Modelo dos modelos”, de Ítalo
Calvino percebo que há uma forte relação de suas ideias com o Atendimento
Educacional Especializado, AEE. Esse atendimento é uma ramificação da Educação
inclusiva onde essa por sua vez, faz parte da educação brasileira e logo no
primeiro paragrafo o autor faz a seguinte colocação: “Houve na vida do
senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um
modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo,
verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na
experiência; terceiro proceder às correções necessárias para que modelo e
realidade coincidam. [...]
Trazendo essa interpretação para a história da Educação
posso afirmar que Houve uma época em que a educação ficou sendo um direito de
todos e os sistemas de ensino universalizam o acesso, mas continuaram excluindo
indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola.
Assim, sob formas distintas, a exclusão tem apresentado características comuns
nos processos de segregação e integração que pressupõem a seleção,
naturalizando o fracasso escolar. Isto é, se o individuo não acompanha o modelo
padronizado sendo capaz de aprender através de uma única maneira de ensino ele
fica fora do grupo idealizado.
“Mas se por um instante ele deixava de
fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais,
saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres
não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e
retorcidas.”
“A partir da visão dos direitos humanos e do conceito
de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos
sujeitos, decorre uma identificação dos mecanismos e processos de
hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades. Essa
problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em
razão de características intelectuais, físicas, culturais, sociais e linguísticas,
entre outras, estruturantes do modelo tradicional de educação escolar”.
POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
[...] A regra do senhor Palomar foi
aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos,
se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório,
para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez
fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...]
Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá
servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha;
talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si
próprio.
Nessa passagem do texto faço um paralelo com a
definição de educação inclusiva que diz o seguinte: “A educação inclusiva
constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos
humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que
avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as
circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola”.
É com essa nova forma de pensar que as politicas
nacionais de educação vão sendo criadas, modificadas e se constituindo um
atendimento que anseia o desenvolvimento individual de acordo com a capacidade
de cada pessoa. Dessa forma o AEE foi tomando espaço nas escolas regular e
trouxe uma outra visão de inclusão para beneficiar as pessoas com necessidades
especiais diversas.
Neste ponto só restava a Palomar apagar da
mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que
ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não
homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para
fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com
a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não
demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações
especiais, mas é a única que lhe parece praticável.
Nesse último trecho posso fazer uma comparação legitima
do AEE já que esse atendimento se baseia em um estudo de caso individual e
valoriza a singularidade do aluno, por meio de um plano de trabalho voltado
exclusivamente para o individuo analisado o atendimento é desenvolvido
procurando fortalecer as potencialidades encontradas na pessoa que está sendo
atendida. Favorece o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes e a superação dos aspectos
impostos pela deficiência, que podem limitar ou coloca-los em situação de
desvantagem no processo de escolarização.
Visa assegurar ao seu público
alvo a participação, independência, autonomia na construção de seu
conhecimento, possibilitando que os alunos aprendam o que é diferente do
currículo do ensino comum.

