sábado, 28 de junho de 2014

Texto “O modelo dos modelos” de Ítalo Calvino e a sua relação com o AEE.

Ao analisar o texto “Modelo dos modelos”, de Ítalo Calvino percebo que há uma forte relação de suas ideias com o Atendimento Educacional Especializado, AEE. Esse atendimento é uma ramificação da Educação inclusiva onde essa por sua vez, faz parte da educação brasileira e logo no primeiro paragrafo o autor faz a seguinte colocação: “Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [...]

Trazendo essa interpretação para a história da Educação posso afirmar que Houve uma época em que a educação ficou sendo um direito de todos e os sistemas de ensino universalizam o acesso, mas continuaram excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. Assim, sob formas distintas, a exclusão tem apresentado características comuns nos processos de segregação e integração que pressupõem a seleção, naturalizando o fracasso escolar. Isto é, se o individuo não acompanha o modelo padronizado sendo capaz de aprender através de uma única maneira de ensino ele fica fora do grupo idealizado.

“Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas.”

“A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos, decorre uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades. Essa problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais, físicas, culturais, sociais e linguísticas, entre outras, estruturantes do modelo tradicional de educação escolar”. POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.

Nessa passagem do texto faço um paralelo com a definição de educação inclusiva que diz o seguinte: “A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola”.
É com essa nova forma de pensar que as politicas nacionais de educação vão sendo criadas, modificadas e se constituindo um atendimento que anseia o desenvolvimento individual de acordo com a capacidade de cada pessoa. Dessa forma o AEE foi tomando espaço nas escolas regular e trouxe uma outra visão de inclusão para beneficiar as pessoas com necessidades especiais diversas.

Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.

Nesse último trecho posso fazer uma comparação legitima do AEE já que esse atendimento se baseia em um estudo de caso individual e valoriza a singularidade do aluno, por meio de um plano de trabalho voltado exclusivamente para o individuo analisado o atendimento é desenvolvido procurando fortalecer as potencialidades encontradas na pessoa que está sendo atendida. Favorece o desenvolvimento e a aprendizagem  dos estudantes e a superação dos aspectos impostos pela deficiência, que podem limitar ou coloca-los em situação de desvantagem no processo de escolarização.   Visa assegurar ao seu público alvo a participação, independência, autonomia na construção de seu conhecimento, possibilitando que os alunos aprendam o que é diferente do currículo do ensino comum.


sábado, 14 de junho de 2014

Cartões de comunicação


Público a que se destina qual transtorno, para que idade essa atividade é destinada para qualquer pessoa que não possui uma linguagem verbal. Pode ser para crianças com TEA, PC que tenha afetado a linguagem, DMU, ou seja, qualquer deficiência que venha ter a necessidade de estabelecer a comunicação.

Local de utilização (sala de aula, AEE, Biblioteca, laboratório de informática, etc.); Os cartões de comunicação podem ser utilizados na sala de AEE, na sala de aula regular, em casa e demais locais de necessidade da pessoa que vai utilizar.

Colocar uma representação visual do recurso utilizado;




Fazer uma descrição da atividade
Um bom recurso de comunicação alternativa são os cartões de comunicação os quais são confeccionados em formato de cartões com símbolos, figuras, fotos, representando um vocabulário variado e fácil de ser manuseado, além de ser portátil, podendo ser levado pela pessoa para todos os lugares, seja em argolas (como chaveiro), carteira de bolso e etc.
Os cartões de comunicação podem ser utilizados como meio de comunicação receptiva e expressiva com crianças com autismo, desde que já tenha intenção de comunicar-se e que esteja na fase simbólica de comunicação. As figuras escolhidas para os cartões devem ser o mais próximo possível da realidade da criança para que possa dar sentido e ver funcionalidade no seu uso.
 No ambiente escolar os cartões de comunicação podem ser utilizados para contar uma história conhecida que pode ser realizado pelo professor de AEE e da sala comum, reconto da história pelo aluno e também em parceria com os outros alunos da sala comum bem como pode ser utilizados para a produção de uma história, um relato e etc.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

A DIFERENÇA ENTRE SURDOCEGUEIRA E DMU


O que diferencia a surdocegueira da deficiência múltipla é a forma como as pessoas que são cometidas com uma dessas deficiências recebem as informações a respeito do que lhes rodeiam.

 A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular. Na deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida. A surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para se referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em graus diferentes, podendo ser:

a) Surdocego total: ausência total de visão e audição.

b) Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual: ausência de percepção da fala mesmo com aparelho de amplificação sonora individual, com resíduo visual que permite orientar-se pela luz, facilitando a mobilidade e com apoio de alto contraste é possível ter percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos.

c) Surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual: dificuldade para compreender a fala em voz normal e sua percepção visual à luz permite mobilidade e com apoio de alto contraste é possível ter percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos.

d) Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira: dificuldade auditiva para compreender a fala em voz normal ou baixa é necessária falar mais próximo ao ouvido e tom mais alto (fala ampliada), total ausência de visão, sem percepção de luminosidade ou vulto.

e) Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais: dificuldade para compreender a fala em voz baixa e seu resíduo visual possibilita que defina e perceba volumes, cores e leitura em tinta ampliada.

São consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que "têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social" (MEC/SEESP, 2002).
As necessidades básicas dos alunos com surdocegueira ou deficiência múltipla são o desenvolvimento do esquema corporal e estabelecer uma comunicação.
O corpo é a realidade mais imediata do ser humano. A partir e por meio dele, o homem descobre o mundo e a si mesmo. Portanto, favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de extrema importância.
Para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular.
São muitas as estratégias utilizadas para a aquisição de comunicação entre as pessoas com surdocegueira, DMU e seus pares. A Comunicação Aumentativa e Alternativa é destinada a pessoas sem fala ou sem escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever (BERSCH & SCHIRMER, 2005). Dentre vários recursos que possibilitam a comunicação dessas pessoas destaco os seguintes: cartões de comunicação, pranchas de comunicação, pastas de comunicação, carteiras de comunicação e chaveiros de comunicação, mesa com prancha, colete de comunicação, agenda de comunicação, calendário e quadro de atividades, vocalizadores e o próprio computador.
























Recursos Bibliográficos:
 Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla\Prof.ª Dra. Shirley Rodrigues Maia São Paulo (2011)
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e deficiência múltipla / Ismênia Carolina Mota Gomes Bosco, Sandra Regina Stanziani Higino Mesquita, Shirley Rodrigues Maia.
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa / Mara Lúcia Sartoretto, Rita de Cássia Reckziegel Bersch.


domingo, 16 de março de 2014

Educação Escolar para pessoas com surdez

Ao longo dos anos há uma grande discussão entre defensores das tendências gestualistas e oralistas á respeito da educação das pessoas com surdez. Segundo Damázio (2010) esses debates priorizam o enfoque na aceitação de uma língua ou de outro. E acabam deixando de perceber o ponto primordial dessa educação que é a percepção das potencialidades individuais e coletivas das pessoas com surdez e passam a contribuir para a sua segregação social.
Atualmente a educação especial tem ganhado novos olhares com mais atenção para as especificidades das pessoas com deficiência. Gostaria de deixar claro que Damázio (2010) ressalta que a pessoa com surdez tem uma perda sensacional auditiva, no entanto, não a coloca como um deficiente, pois ela não o é, apenas é limitada para essa função perceptiva.
Porém, ainda muitas coisas no âmbito escolar dos surdos precisam ser repensadas e modificadas, assim como as práticas pedagógicas nas escolas públicas e privadas para que aconteça realmente uma educação onde o professor ensina e o aluno aprende de forma consistente e produtiva.
As pessoas com surdez é um ser capaz de aprender e desenvolver diversas habilidades. É um ser com uma limitação. Não devemos ver apenas a deficiência em si, mas uma pessoa dotada de potencialidades.
Nesse sentido termos certeza de que os processos perceptivos, linguísticos e cognitivos das pessoas com surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-as sujeitos capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos e, se desejar, também falar. (Damázio, 2010, p.48).

O fracasso escolar do surdo não está centrado apenas na ausência de comunicação interativa. É claro que as línguas utilizadas tem um lugar importante no processo de aprendizagem, porém, não é o centro de tudo que acontece nesse processo. O sucesso escolar dos surdos depende da eficiência das praticas pedagógicas.

A abordagem bilíngue corresponde às necessidades do aluno com surdez, em virtude de respeitar a língua natural e construir um ambiente propicio para a sua aprendizagem e o Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez, em uma perspectiva inclusiva, onde o aluno será redirecionado construindo novas e infinitas possibilidades que levem este aluno a uma aprendizagem contextualizada e significativa, valorizando seu potencial e desenvolvendo suas habilidades cognitivas, lingüísticas e sócio-afetivas.
Conforme Damázio (2010), Eis uma proposta inclusiva para alunos com surdez: através do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em três momentos didático-pedagógicos distintos, onde, além de participarem da sala de aula comum, retornam no turno inverso para receberem AEE em Libras (conteúdo semelhante ao da classe comum), AEE para o ensino de Libras e o AEE para o ensino de Língua Portuguesa.
No AEE em Libras o aluno tem possibilidade de rever todos os conteúdos curriculares através da língua de sinais, sendo que a preferência de ministrar essas aulas seja para um professor surdo.
No AEE para o ensino de Libras, dependendo do nível de conhecimento do aluno nesta língua, as atividades serão planejadas para favorecer o conhecimento e aquisição de termos científicos. O professor ou instrutor também deverá ser surdo e o espaço de ensino necessita de muitas imagens visuais.
Já no AEE para o ensino da Língua Portuguesa a preferência é para o professor graduado nesta área, para que possa ensinar o português com metodologia de segunda língua na modalidade escrita, e quando possível na oral, se for à opção do aluno.
A partir desse estudo percebo que a implementação do Atendimento Educacional Especializado nas escolas públicas do nosso país tem certa urgência. Pois, as pessoas com surdez tem o direito de ter um atendimento onde eles possam expandir os seus conhecimentos, tornar-se pessoas autônomas e interagir plenamente na sociedade.






REFERÊNCIAS

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.48.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Os usos pedagógicos da audiodescrição

https://www.youtube.com/watch?v=RSp_EI1TQTA










Nosso interesse, no entanto, reside em situar a audiodescrição tomando por base o seu potencial pedagógico, na condição de técnica ou serviço de promoção da acessibilidade capaz de permitir ao educador inclusivo, nas mais variadas situações didáticas desenvolvidas no cotidiano escolar, a construção e narração de roteiros audiodescritos que possam ilustrar e enriquecer o processo de ensino/aprendizagem, ao passo que beneficia o educador no planejamento de aulas inclusivas, voltadas à diversidade dos alunos, e favorecem os próprios educandos, usuários do recurso.
Para Guedes et al, o uso da audiodescrição no contexto pedagógico também permite às pessoas disléxicas uma melhor absorção de informações e conhecimentos, uma vez que as dificuldades relacionadas à leitura, escrita e soletração advindas da dislexia estariam sendo dribladas em virtude da utilização do recurso sonoro, o que facilitaria o entendimento das informações contidas nos textos, a partir de sua escuta.
Com o propósito de desvelar a potencialidade pedagógica da audiodescrição, os autores apontam, ainda, algumas ações que podem ser empreendidas pelos professores da educação básica e replicadas nos demais níveis de escolarização formal, no sentido de se promover a acessibilidade comunicacional que conduzirá os educandos com deficiência à desejada inclusão escolar.
Com ações que envolvem não só o professor, mas também toda a escola e a comunidade escolar, os educandos com e sem deficiência serão formados com a perspectiva da inclusão social, ou seja; tendo respeitados os seus direitos de acesso ao conhecimento formal, à cultura, aos espaços físicos e também à própria liberdade de expressão e empoderamento, mobilizadores da autonomia e independência.
Assim, mediante utilização da audiodescrição como ferramenta de cunho pedagógico, os educadores inclusivos poderão:
- minimizar ou eliminar as barreiras presentes nos meios de comunicação que se interponham ao acesso à educação, tais como aquelas presentes no acesso a materiais bibliográficos;
- proporcionar que alunos com deficiência visual, com dislexia e outros tenham acesso aos conteúdos escolares, no mesmo tempo em que o restante da turma;
- permitir que todas as ilustrações, imagens, figuras, mapas, desenhos e demais configurações bidimensionais, presentes nos livros didáticos, fichas de exercícios, provas, comunicados aos pais, cartazes, circulares internas etc. também sejam disponibilizados em audiodescrição;
- zelar pela autonomia, empoderamento e independência dos alunos com deficiência visual e outros usuários do recurso;
- atentar para  utilizar de modo eficiente seu potencial de visão, realizando as atividades com autonomia e conforto por meio do uso de óculos e da adequada iluminação e disposição do mobiliário em sala de aula, ou ainda, participar e interagir ativamente com seus pares em sala de aula a partir das relações estabelecidas com a escola e a família. - perceber a transversalidade do recurso, por exemplo, ao estimular que, com uso de uma atividade coletiva de audiodescrição, durante uma aula de matemática ou de ciências, os alunos possam desenvolver descrições por escrito, de tal sorte que as informações ali contidas possam ser aproveitadas nas aulas de língua portuguesa;
- considerar a importância de democratizar as informações e conhecimentos construídos em sala de aula para toda a comunidade escolar, oferecendo aquele recurso em exposições, mostras, feiras de ciências, apresentações, reuniões de pais e mestres, encontros pedagógicos, aulas de reforço escolar, excursões temáticas, jogos e olimpíadas esportivas, exibição de filmes e nos demais encontros e atividades cuja educação seja o foco;
- reforçar o respeito pela diversidade humana, praticando e divulgando ações de cunho acessível entre os alunos com e sem deficiência;
- atrair parceiros que possam financiar projetos de acessibilidade na escola e a partir dela;
- criar programas e projetos de voluntariado e monitoria que envolva o público interno da instituição e a comunidade escolar, a fim de capacitar os interessados na temática da audiodescrição e levar adiante outras iniciativas de acessibilidade;
- promover encontros de formação, reflexão e sensibilização sobre a inclusão social das pessoas com deficiência para professores, funcionários, gestores, alunos e comunidade, fortalecendo a máxima de que a inclusão só poderá ser construída por intermédio da perpetuação de práticas acessíveis, ou seja, a partir da eliminação de barreiras, tais como as atitudinais e aquelas presentes nos meios de comunicação.
Cientes de que a tarefa de educar na perspectiva inclusiva exige, antes de tudo, a crença irrestrita na capacidade humana de aprender sempre, ainda que em ritmos e de maneiras diferentes, acreditamos que todo educador, atuando em qualquer modalidade da educação básica, seja capaz de incorporar à sua prática docente a utilização de tecnologias assistivas.
E, sendo a audiodescrição uma dessas tecnologias, conclamamos a todos os educadores comprometidos com a proposta de educar pessoas, independentemente de rótulos ou estigmas, a estudar a sério o potencial dessa enriquecedora ferramenta pedagógica, na certeza de que os lucros advindos desse investimento, para além do enriquecimento na própria formação docente, também implicarão a resposta positiva dos educandos com deficiência, incluídos e verdadeiramente atuantes.
Lívia Couto Guedes possui licenciatura plena em pedagogia, com habilitação em administração escolar e mestrado em educação pela Universidade Federal de Pernambuco - Ufpe (2004 e 2007, respectivamente). É estudiosa das questões relacionadas à inclusão social de pessoas com deficiência, com ênfase no enfoque educacional e escolar. É audiodescritora, atuando na promoção de acessibilidade comunicacional para a pessoa cega e com baixa visão por meio da construção e narração de roteiros acessíveis. Atualmente, é professora substituta da Ufpe, lotada no Colégio de Aplicação, no qual leciona a disciplina de pesquisa no ensino fundamental e integra o Serviço de Orientação e Experimentação Pedagógica.
Lívia Couto Guedes
Fonte: Revista Nacional de Tecnologia Assistiva
Outras informações sobre audiodescrição:


sábado, 19 de outubro de 2013

GAVETINHAS DA MEMÓRIA




Estimula:
Pensamento, memória espacial, atenção, observação.  
Descrição:
20 caixas de fósforo colocadas em cinco pilhas de quatro caixas e revestidas com papel contact, fita durex colorida ou papel colorido.  Dentro das gavetinhas é possível colocar pequenas peças, de acordo com a forma como se vai brincar.  
Exploração:
-Colocar uma pequena peça em uma das gavetinhas do armário, roda-lo, em seguida algumas vezes e pedir que o aluno diga onde está a peça.
-Fazer a mesma coisa, mas escondendo duas peças, depois três e assim por diante.
-Colocar dezoito pares de pequenos objetos nas gavetinhas e jogar como o jogo da memória, em que cada participante tem de encontrar duas peças iguais.

Mecanismo de aprendizagem:
No texto: O Aluno com Deficiência Intelectual: Funcionamento cognitivo e estratégias de
Avaliação, os autores deixam claro que “os mecanismos de aprendizagem estão relacionados aos processos implicados na aquisição dos conhecimentos e das habilidades, que podem ser conceitual, motora ou social. Os principais mecanismos de aprendizagem estão relacionados à memória, a atenção, a transferência de aprendizagem, a metacognição e a motivação”. (POULIN, FIGUEREDO, GOMES, 2013, P.7).
Intervenções que o professor deve fazer: Durante a execução dessa tarefa o professor deverá intervir diariamente com indagações que provocará o desenvolvimento de estratégias para a resolução de problemas que é encontrar os objetos dos quais estão sendo solicitados pelo professor, perceber de que maneira o aluno realiza o seu aprendizado e estimular o desenvolvimento dos mecanismos de aprendizagem principalmente a memória de curto prazo.






REFERENCIAS:
O Aluno com Deficiência Intelectual: Funcionamento cognitivo e estratégias de Avaliação: texto elaborado em 09/2013 para a disciplina AEE e Deficiência Intelectual do Curso de Especialização em Atendimento Educacional Especializado da Universidade Federal do Ceará.
Jean- Rbert Poulin: Ph. D. professor titular da Université du Quebec em Chicoutimi-Canada, Professor visitante da UFC
Rita Vieira de Figueiredo: Ph. D. Professora da UFC
Adriana Leite Lima Verde: Dra. Professora da UFC
 Revisão de: Ana Maria Faccioli Camargo: Dra. Professora da Universidade de Campinas/UNICAMP







sábado, 14 de setembro de 2013

Recurso da Tecnologia assistiva

  Tecnologia Assistiva

Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover Vida Independente e Inclusão.
É também definida como "uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências" (Cook e Hussey • Assistive Technologies: Principles and Practices • Mosby – Year Book, Inc., 1995).

Conceito
No Brasil, o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído pela PORTARIA N° 142, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006 propõe o seguinte conceito para a tecnologia assistiva:"Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social" (ATA VII - Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) - Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) - Secretaria Especial dos Direitos Humanos - Presidência da República).

     Objetivo da tecnologia assistiva

Proporcionar à pessoa com deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação de sua comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente, habilidades de seu aprendizado, trabalho e integração com a família, amigos e sociedade.
Recurso de tecnologia assistiva para deficiência física

·        A área da tecnologia assistiva que se destina especificamente à ampliação de habilidades de comunicação é denominada de Comunicação Alternativa (CA). A comunicação alternativa destina-se a pessoas sem fala ou sem escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade de falar e/ou escrever.·.

·        O artefato onde o professor dispõe o sistema de comunicação é denominado Prancha de Comunicação. As Pranchas de Comunicação podem ser construídas com materiais simples, ou seja, cadernos, álbuns, quadro de pregas, flanelógrafo, painel de alumínio para fixar cartões com imãs, pastas, coletes, aventais, livros, fichários tipo pasta-arquivo, cavalete de pintura, cartões fixos em chaveiros, dentre outros. (JOHNSON, 1998). Nelas é possível expor figuras, números, símbolos, letras, palavras. As pranchas devem ser personalizadas de acordo com as possibilidades de ação do aluno, ou seja, sua condição motora (ALENCAR, 2002). As pranchas podem estar na mesa da criança, na porta dos armários de tinta ou brinquedos ou na porta de saída da sala de aula..